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domingo, 16 de novembro de 2014

coisas legais^^

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domingo, 2 de novembro de 2014

Projeto Portinari

Dados do projeto
Título: Projeto Portinari.
Unidade Escolar: 
Período de execução: Fevereiro de à julho de 2014
Tema: A Arte na Educação de Jovens e Adultos.
Quantidade de alunos envolvidos no projeto: Alunos das salas da 3ª e 4ª série da EJA (40 alunos)
Colaboradores Parceiros do trabalho: Professora 
____________________________
Professora Juliana Bertoglia Silva


____________________________
Diretora 







Projeto Portinari
Professora Juliana Bertoglia Silva
Publico Alvo: 3ª e 4ª séries da Educação de Jovens e Adultos (40 alunos)
Justificativa:  A EMEF ... é uma escola central que atende ao ensino fundamental I e a Educação de Jovens e Adultos no período noturno. Muitos desses alunos vivem na zona rural da cidade e trabalham em plantações, ou são pedreiros, costureiras, faxineiras, cabelereiras ou simplesmente do lar.
Esses alunos por não terem um contato maior com as linguagens artísticas não consideravam sua importância em suas formações e assim acreditavam que a aula de artes era uma perda de tempo. Sendo assim, trabalhar com projeto vem da necessidade que os alunos da EJA conheçam um pouco mais sobre a Arte e da sua importância em nossas vidas. Tomando como fio condutor da construção desse conhecimento a vida e a obra do artista Candido Portinari, ampliando assim o repertório imagético dos nossos alunos, trabalhando também conceitos artísticos e a poética pessoal de cada um.
Objetivos: Conhecer a vida e a obra do artista, conhecer conceitos básicos das artes visuais, ampliação do repertório imagético dos alunos, a construção de poéticas pessoais através de experiências artísticas e promover o gosto pela arte nos alunos da Educação de Jovens e Adultos.
Metodologia: os alunos conhecerão a vida e a obra do artista através de apresentações multimídias, fotografias, visitas a site, pesquisas feitas em livros e revistas, repertoriando assim a ação criativa de cada aluno. Depois será proposto aos alunos que criem a partir dos conceitos estudados, leitura e releitura de obras, criação a partir de textos poéticos e musicas que falem dos mesmos temas tratados pelo artista.
Aula 1:
Tema: a vida de Candido Portinari
Recursos necessários: aparelho Multimídia, cadernos de desenhos, lápis, lápis de cor, canetas hidrográficas, borracha, fotos impressas de obras do artista.
Objetivo da aula: conhecer um pouco da vida e da obra do artista
Atividade: leitura e releitura de obra
Duração: 2 aulas
Avaliação: participação dos alunos durante a aula, realização das atividades, adequação a proposta solicitada.
Aula 2:
Tema: Candido Portinari e seus poemas
Recursos necessários: cópias dos poemas escritos pelo artista, fotos impressas de suas obras, lápis, borracha, material de pintura (tinta guache, pinceis, panos de limpeza, potes para agua), papel canson A3.
Objetivo da aula: conhecer outras propostas poéticas do artista, relacionando-as a suas obras e a partir delas, os alunos deverão criar suas próprias obras.
Atividade: jogo da memoria (relacionar obras do artista com os poemas que ele escreveu), criar uma composição visual, utilizando a técnica da pintura em papel, com o mesmo tema das obras apresentadas.
Duração: 2 aulas
Avaliação: participação dos alunos durante a aula, realização das atividades, adequação a proposta solicitada.
Aula 3:
Tema: criação a partir dos poemas do artista
Recursos necessários: massinha de modelar, cópias de poemas escritos pelo artista, cópias impressas das obras.
Objetivo da aula: trabalhar a releitura de obra através da construção e um modelo tridimensional, trabalhar os conteúdos relacionados a bi e tridimensionalidade.
Atividade: leitura dos poemas e das obras a eles relacionados, releitura usando a técnica da modelagem em massinha. Após o termino desta atividade será solicitado aos alunos que façam um pequeno registro escrito de suas impressões da atividade realizada, esse registro comporá o portfolio de cada aluno.
Duração: 2 aulas
Avaliação: participação dos alunos durante a aula, realização das atividades, adequação a proposta solicitada.
Aula 4:
Tema: Releitura de obra
Recursos necessários: papel canson A4, lápis de cor, canetas hidrográficas, recortes de revista, lápis preto, borracha, fita adesiva preta, cópias de obras impressas.
Objetivo da aula: Criação utilizando recortes de revista e desenhos para releitura de obra.
Atividade: baseando- se em uma das obras de Candido Portinari, recortes figuras de revistas e desenho, componha sua releitura de imagem.
Duração: 2 aulas
Avaliação: participação dos alunos durante a aula, realização das atividades, adequação a proposta solicitada.
Aula 5:
Tema: o artista e as brincadeiras de criança
Recursos necessários: cópias impressas de obras do artista, papel para registro da leitura de imagem, lápis, borracha, argila, bandejinha de isopor, panos de limpeza e potes para agua.
Objetivo da aula: Trabalhar a temática tratada pelo artista, leitura da obra, relacionado o que se vê, sente e pensa sobre a obra, releitura tridimensional e exploração de material.
Atividade: Relacione quais brincadeiras existentes na obra (atividade escrita), leitura de imagem, releitura usando argila.
Duração: 2 aulas
Avaliação: participação dos alunos durante a aula, realização das atividades, adequação a proposta solicitada.
Aula 6
Tema: interferência na obra do artista
Recursos necessários: papel canson A4, lápis de cor, canetas hidrográficas, copias reprográficas dos personagens criados pelo artista, cola, tesoura, fita adesiva preta.
Objetivo da aula: trabalhar a interferência na obra do artista e registro pessoal.
Atividade: usando recortes de personagens criados pelo artista, criar uma nova imagem. Fazer o registro das impressões das aulas, se possível utilizando a linguagem do poema.
Duração: 2 aulas
Avaliação: participação dos alunos durante a aula, realização das atividades, adequação a proposta solicitada.
Aula 7:
Tema: o artista e as diferenças sociais.
Recursos necessários:  material de pintura, canson A3, lápis, borracha, cópias impressas das obras  ‘Os retirantes’, ‘o mestiço’, ‘Futebol’ e ‘Café’, musicas que tratem dos temas que o artista pintou.
Objetivo da aula: Conhecer mais sobre a diversidade da obra de Portinari e como ele retratou as diferenças sociais, fazer a leitura das obras, relacionar essas obras a musicas com mesmo tema, criação de obra falando sobre como os alunos percebem as desigualdades sociais.
Atividade: Leitura de imagem, audição de musicas, conversa sobre como cada linguagem retrata os temas trabalhados pelo artista, composição visual, usando a técnica do desenho, de como os alunos retratariam as diferenças sociais da vida atual.
Duração: 2 aulas
Avaliação: participação dos alunos durante a aula, realização das atividades, adequação a proposta solicitada.
Aula 8:
Tema: finalização do projetoconhecendo mais sobre a vida e a obra do artista, montagem da exposição.
Recursos necessários: sala de informática, fita adesiva (fita crepe), fotos e atividades realizadas.
Objetivo da aula: proporcionar aos alunos a possibilidade de conhecer outras obras do artista, visitando sites e pesquisando um pouco mais sobre sua vida. Montagem da exposição e finalização do projeto.
Atividade: visitar o site www.portinari.org.br , www.museucasadeportinari.org.br e outros sites.
Duração: 2 aulas
Avaliação: participação dos alunos durante a aula, realização das atividades, adequação a proposta solicitada.
Recursos: Datashow, cópias impressas das obras e da vida do artista, computador para pesquisa dos alunos, recortes de revistas e jornais (se possível), aparelho de som, papel canson A3, canetas hidrográficas, lápis de cor, guache, pinceis, fita adesiva colorida (preta), fita adesiva (fita crepe), pratos de papelão, bandejinhas de isopor (embalagens para frios), panos de limpeza, potes para lavar pinceis (manteiga, margarina ou requeijão), cópias reprográficas contendo informações sobre a vida do artista, massinha de modelar, argila, maquina fotográfica para registro do processo.
Produto final: Exposição contendo as atividades realizadas pelos alunos, seus registros de criação, fotografias das aluas. A montagem da exposição será feita pelos próprios alunos ao final do projeto. A exposição será aberta a comunidade escolar, alunos, pais, familiares, professores e demais funcionários da escola, visita a Pinacoteca do Estado de São Paulo, possibilitando aos alunos conhecerem as obras de perto, além de conhecerem o espaço expositivo do Museu.
Avaliação e registro: a avaliação acontecerá durante todo o projeto, o registro será feito através de fotos, observações feitas durante as aulas, no diário de bordo, envolvimento  e interesse dos alunos dos alunos, atendimento a comanda na realização das atividades e processo de criação a partir do que foi proposto.
Bibliografia:
- Revista Carta Fundamental, dezembro de 2013, edição 54. ED. Confiança (pag. 26 a 29)
- Material do Educativo da Pinacoteca do Estado de São Paulo
- Arte brasileira que faz a diferença, vida e obra dos maiores pintores brasileiros. Ed CEDIC
- Coleção Aprendendo com Arte. Ed. Cia e Companhia.
Site:
 www.portinari.org.br acesso em 10/02/2014.
www.museucasadeportinari.org.br acesso em 10/02/2014.
Considerações finais
Trabalhar com projetos é sonhar, prever situações de aprendizagens e possibilidades diferentes para aproximar nossos alunos de um determinado tema ou assunto. E, as vezes o que planejamos, não sai exatamente como esperávamos.
Ao pensar esse projeto, levei em considerações algumas angustias que tenho em relação a Educação de Jovens e Adultos em .... A falta de um parâmetro curricular de Arte para as fases de alfabetização, que é onde se encontram meus alunos, a ideia que eles fazem da escola, ao dizerem que estão ali para aprender a ler e escrever, e fazer contas e, principalmente a falta de recursos para o desenvolvimento do trabalho com esses alunos.
Na sua grande maioria, os alunos são provenientes da zona rural e de baixa renda, sendo assim, muito difícil para eles a compra de materiais específicos para as aulas de arte. Os recursos para as aulas são escassos, muitas vezes levo de meu material para que possamos trabalhar, as vezes converso com eles para que realizam uma ‘vaquinha’ para a compra de determinado material, ou reutilizamos coisas do dia a dia.
Trabalhando com os alunos da EJA, percebi que eles gostam de fazer coisas, aulas expositivas são cansativas e monótonas. Levando em consideração a lida do dia a dia de meus alunos, procurei articular as aulas de modo a fazê-los conhecer a história do artista e suas obras, mas também possibilitando o fazer artístico a partir do que discutíamos. Houve aceitação por parte da turma na proposta apresentada, eles participaram das atividades, trocando ideias entre si, compartilhando saberes, me ensinaram bastante, apresentando suas leituras das obras que viam, aproximando- as das historias pessoais. E assim eles conheceram um pouco mais sobre o artista e também me fizeram conhecer um pouco mais sobre cada um.
“Os cientistas dizem que somos feitos de átomos, mas um passarinho me diz que somos feitos de histórias.” Eduardo Galeano.
Disponível em: http://pensador.uol.com.br/frase/MTUzMDEzNA/ , acesso em 20/09/2014.
E como nem sempre é o que esperamos, algumas coisas se tornaram inviáveis no projeto. A nossa ida a Pinacoteca do Estado foi uma delas, mesmo já tendo agendado o dia com o educativo do museu, conversado com os alunos para ver quem gostaria de ir, chegando poucos dias antes nos foi informado que não seria possível a nossa ida, pois a secretaria dispunha do ônibus, mas não do motorista para levar nossos alunos no sábado para a Pinacoteca. A aula prevista para acontecer na sala de informática também não ocorreu pela falta de Internet na mesma, e infelizmente alunos que tinha o sonho de aprender a usar, ou simplesmente experimentar mexer em um computador, se formaram na quarta serie sem que a escola oportunizasse essa experiência a eles.
A EMEF ... é uma escola grande e ao mesmo tempo muito pequena. Faltam- nos espaços para pensarmos em exposições, para realização de aulas que trabalhem a questão do movimento (nossa tão sonhada e aguardada quadra de esportes), ambiente apropriado para a prática artística... e a nossa exposição foi um pouco mesmo do que aquilo que tínhamos pensado, meus alunos e eu preparamos as atividades, montamos um painel transparente para a exposição do trabalho, mas que no fim das contas se resumiu a poucas atividades expostas na entrada da escola, pois além da falta de espaço, não tínhamos como pendurar  o painel que produzimos.
Anexos 

Releitura usando massinha de modelar


quinta-feira, 5 de junho de 2014

Tucano de tampinhas de garrafa

E foi assim, tínhamos de apresentar alguma coisa para a semana do meio ambiente. Pesquisei, não tinha ideia nenhuma, até que vi uns trabalhos feitos com tampinhas de garrafa pet. Gostei, mandei pra diretora que achou uma graça e resolvemos fazer. Aí me perguntava como e o que fazer... lembrei do ponto cruz e achei que daria certo usar um gráfico usado nessa técnica trocando pontinhos por tampinhas...
Levamos a ideia para o HTPC sendo aprovada, pedimos para que as crianças trouxessem as tampinhas, todas as que eu juntei e que estava guardando há uns três anos levei pra escola. Dois dias colando tampinhas, uma dorzinha no braço pelo movimento repetitivo, mas tudo bem... ai esta o resultado^^
obrigada a todos os pais, alunos, professores e amigos que colaboraram, sem vocês não teria dado certo^^

terça-feira, 6 de maio de 2014

Experimentações em POP UP

Outro dia, caminhando pela net, vi que a Casa das Rosas, em São Paulo estava com inscrições abertas para uma oficina de Arte Pop Up. Adoro esse livros que quando a gente abra vão saltando coisas incríveis... Quero Montar um Cenário Pop Up para a peça Quem conta um Conto Aumenta um ponto do Cia GEPETO e assim fiz minha inscrição, a primeira aula foi no ultimo sábado (03/05/14) e ai estão algumas fotos das atividades que desenvolvemos nesse encontro^^











depois da oficina, voltei pra casa com vontade de montar um ateliê na escola.. Vamos ver se dá certo^^

quarta-feira, 26 de março de 2014

Parte do meu texto da Pós Graduação

As relações escola X família.
A intervenção deliberada dos membros mais maduros da cultura no aprendizado das crianças é essencial ao seu processo de desenvolvimento. A intervenção pedagógica do professor tem, pois, um papel central na trajetória dos indivíduos que passam pela escola. OLIVEIRA (2001)

A escola onde trabalho fica em um bairro periférico e em expansão em (...) e como já disse anteriormente é um bairro com grandes diferenças econômicas e que em muitos locais, principalmente os mais afastados, há uma grande incidência de tráfico de entorpecentes.
Um levantamento que fiz, durante as duas primeiras reuniões de pais e mestres nessa escola mostra como os pais tem se afastado da escola e da vida familiar de seus filhos. Claro que os dados de apenas duas reuniões de pais e mestres, no primeiro semestre deste ano, talvez seja um instrumento ainda pequeno de avaliação e que deveríamos verificar em um período maior, mas já podemos ter uma base para a necessidade de aproximarmos mais os pais e a comunidade da escola.

Os nomes das crianças que vou usar são de fantasia, mas as histórias reais. Comecemos pela história do aluno Rodrigo de oito anos, matriculado no 2º ano. Há algum tempo venho tentado falar com seus familiares, esse aluno passou pelo primeiro ano inteiro na hipótese de escrita pré- silábica e iniciou o segundo da mesma forma, avançando para a hipótese silábica sem valor no final do primeiro bimestre desse ano (2012), ele é aluno de uma professora muito comprometida com seu trabalho, e que ao ver que muitos de seus alunos que haviam avançado, mas não conforme a expectativa do bimestre chorou convulsivamente dizendo não achar justo esses alunos receberem notas vermelhas sem se levar em conta o avanço que tiveram. Já mandei duas convocações para a mãe desse aluno, a primeira ele não mostrou, a segunda veio assinada. Tenho perguntado a todo tempo pela mãe e ele me responde que ela virá hoje à tarde ou amanhã. Já ate encontrei com essa mãe na saída dos alunos, pedi para que ela comparecesse o mais breve possível na escola para conversarmos e ela até hoje não apareceu. Perguntei se ela havia visto a convocação no caderno de seu filho ao que ela respondeu que não, disse a ela que bilhete estava assinado e que não era a letra do aluno e ela me disse que tinha assinado sem ler o conteúdo do bilhete.
Outro aluno que temos é o Leonardo, também de oito anos e matriculado no segundo ano. Esse aluno presenciou o padrasto abusando sexualmente da irmã mais velha. Se perguntarmos ao aluno, ele saberá responder com detalhes como “tudo” aconteceu. Ele não respeita a mãe, os colegas ou mesmo a professora, que tem sido bastante enérgica com a criança para que ela possa aprender o possível. A mãe desse aluno compareceu apenas uma vez na escola para reclamar que a diretora havia espalhado o caso do estupro pela comunidade escolar.  O que não ocorreu, pois muitos dos pais já sabiam do ocorrido, sendo a escola a ultima a ser informada da situação. Essa mãe para eventos, reuniões e outras atividades da escola nunca compareceu, só veio por que a família que cuidava do aluno desistiu e ela não tinha mais com quem deixa-lo.
São varias as historias de abandono, tanto intelectual, afetivo como também físico. Temos duas crianças uma no primeiro ano e outra no quinto, que ficam o dia inteiro a sós em casa, sem nenhum adulto que os cuide, pois a mãe diz necessitar trabalhar e não pode ficar com eles. E esses abandonos, muitas vezes se  refletem na escola em indisciplina, desrespeito e violência.
Dizer que todo mal que a escola sofre é culpa da família é uma inverdade sem tamanho. Mas jogar toda a responsabilidade na escola é outro erro que estamos cometendo. Então como fazer para que as famílias estejam mais inseridas na educação de seus filhos e entendam seu papel de formação social dessas crianças?
Na lei 9.394 de 20 de dezembro de 1996 que trata sobre as Diretrizes e Bases da educação nacional, a LDB, nos diz em seu primeiro artigo que A educação abrange os processos formativos que se desenvolve na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais.
O primeiro ponto a ser defendido por essa lei, é que a educação abrange o processo de formação do individuo e esse processo se dá primeiro dentro da convivência familiar e humana, para depois vir a formação no trabalho, nas escolas e nos demais segmentos da sociedade. Podemos dizer que a educação é um processo que não tem fim, pois sempre estamos aprendendo e nos reeducando e que, se ela começa dentro da família, ela ira refletir nas outras instituições sociais.

A educação é um processo, por tanto é o decorrer de um fenômeno (a formação do homem) no tempo, ou seja, é um fato histórico. Toda via é um fato histórico em duplo sentido: primeiro de que representa a própria historia do individual de cada ser humano; segundo, no sentido de que esta vinculada à fase vivida pela comunidade em sua continua evolução. PINTO, 1984.

Pensar na construção familiar nos dias de hoje é uma tarefa difícil, pois não temos mais uma família ideal, onde haja a figura paterna, a materna, os irmãos, de preferencia um casal. A família contemporânea tem múltiplas possibilidades de construção. E não cabe mais dentro das perspectivas burguesas de alguns anos atrás. O maior problema que essa família vem enfrentando são as relações de respeito, de solidariedade, de humanidade que os dias corridos, onde a busca por capital é desumana e egoísta. O importante sou eu e não o outro. Isso me fez lembrar de uma cena que vi essa semana: ultima aula, sexta feira, um aluno que é rejeitado pela família empurrou uma aluna e essa feriu-se com um pequeno corte na cabeça, fiz o curativo usando um pedacinho de algodão e prendendo com fita crepe, apenas para estancar o sangramento enquanto a diretora entrava em contato com a família. A mãe da garota chegou já às dezoito horas, e inqueria a aluna o porquê ela foi “mexer” com um aluno maior que ela, sendo os dois da mesma sala e mesma idade. A menina não sabia o que responder e a mãe continuava a queixar-se sobre que ela só era chamada a escola para receber reclamações, que toda vez era isso. Quando é que a menina ia aprender a se vestir sozinha, a não aprontar na escola, porque ela (a mãe) não aguentava mais aquilo. Desde o dia em que estou na escola (30 de janeiro deste ano) vi essa mãe apenas duas vezes, essa em que a menina se machucou, e outra, quando não apareceu ninguém para busca-la e já eram dezoito e trinta quando a mãe chegou, falei com a mãe que o dia estava muito frio e que a menina quando quisesse vir a escola de saia que vestisse também uma meia calça, pois ela poderia se resfriar, ao que a mãe me respondeu que ela não tinha o que fazer, pois trabalhava o dia inteiro e que a menina ficava com uma babá, respondi a mãe dizendo que ela poderia pedir, então, que a babá ficasse atenta a isso e a mãe se dirigiu a aluna reclamando que ela sempre ia a escola para receber reclamações, terminando com um gesto obsceno.

Já o outro aluno, o que havia empurrado a menina, como já disse, é rejeitado pela família, por mais que essa tente passar uma imagem diferente, a situação é bem clara. Outro dia ele estava febril e a secretária da escola ligou varias vezes para falar com a mãe que ela viesse buscar a criança. Depois de muito tempo a mãe retorna a ligação para a escola querendo saber o que se havia acontecido algo com seu filho, dirigindo- se ao outro filho matriculado em um terceiro ano. Só depois de muito tempo é que ela se lembrou do filho mais velho, que era o motivo que a escola havia tentado falar com ela.
Marta Kohl de Oliveira em seu livro sobre o pensamento de Vigotsky (2001) nos diz “o homem biológico transforma-se em social por meio de um processo de internalização de atividades, comportamentos e signos culturalmente desenvolvidos”. O que vemos nos dias de hoje, devido ao avanço descontrolado do capitalismo e dos ideais individualistas é uma inversão de valores, a começar dentro do seio familiar e que se estende a escola e a toda a sociedade.
Os pais muitas vezes, em seus anseios por uma vida melhor, acreditam que a escola será a salvadora do futuro de seus filhos, e entregam a esta instituição todo o encargo da educação dos pequenos. A escola, que há algum tempo atrás era para poucos, agora abre suas portas a todos, dentro de uma obrigatoriedade disfarçada em direito. Complementando o circulo capitalista, aparecem bolsas “disso e daquilo” tornando o “ter” filhos um negocio lucrativo, sendo necessário apenas manter seus filhos frequentando a escola para a garantia do beneficio e, a qualidade da educação que também é um direito, é esquecida em arquivos e papelada.
Como poderemos formar cidadãos capazes de inferir em uma sociedade critico- reflexivamente, se muitas vezes os direitos de crianças são negligenciados por suas famílias, pela escola e pela própria sociedade que aceita calada essa situação. E muitos ainda acreditam em educação como combate a criminalidade?
A escola é, ultimamente, o centro das atenções de muitas pesquisas e manchetes de jornais que tratam da violência escolar cometida entre alunos e entre estes e seus professores.  Nesse sentido vale repensarmos no papel da escola nos dias atuais, na sua função social que esta apresenta e como ela pode transformar realidades dentro da comunidade em que esta inserida, e para isso há a necessidade de articular escola, família dentro de um projeto que vise à formação cidadã não só de seus alunos como também da comunidade que a compõe.
Mas que projeto seria esse e como incluir a família e a comunidade dentro desse projeto, para que ele se torne parte da comunidade escolar como algo que a diferencie de outras organizações sociais?
Esse projeto se dá através do dialogo, do estudo, da analise dos objetivos de todos os participantes que compõe a comunidade escolar, é necessário que cada um entenda seu papel na formação desse projeto, que pode ser chamado de varias formas (projeto politico pedagógico, projeto pedagógico etc.), mas que deve ter por finalidades mostrar a “cara” da escola, o porquê dela existir como parte fundamental da construção e formação de sociedade que queremos. 

O projeto politico- pedagógico da escola só irá ser uma referencia para o trabalho que a escola desenvolve quando as concepções e orientações que vincula estiverem em consonância com as reais necessidades da unidade escolar e fizer sentido para todos os envolvidos no processo. Desta maneira, é fundamental a importância que a comunidade escolar local conheça a função do projeto e os preceitos que o compõe. FRANCO, 2010

O projeto politico pedagógico é a identidade de cada escola, e a participação de toda a comunidade escolar dentro desse projeto, segundo Franco, “proporciona a comunidade a responsabilidade na tomada de decisões e do papel de cada um para o planejamento, implantação, desenvolvimento e avaliação do projeto da escola.” Esse projeto nasce das necessidades reais da escola que são diagnosticadas através de avaliações internas. Essas necessidades são discutidas e analisadas pela comunidade que então passa a projetar ações para solucioná-las. É importante lembrar que esse projeto não nasce do dia para a noite, ele requer tempo, analise e estudo, para só então começar a ser escrito como projeto a ser defendido pela escola.
Infelizmente não são todas as escolas que já conseguiram formular seus projetos, muitas ainda vivem o dilema de terem suas atividades cerceadas pelas secretarias de educação. Fazendo o caminho de cima para baixo, não dando autonomia as escolas para que reflitam sobre suas realidades e assim construam seu próprio modo de ser escola, respeitando suas necessidades e seus participantes.